A Espera

Os silêncios que se estendem me angustiam. Quero respostas, e mais que respostas, quero sentimentos. Demonstrações exatas, promessas que me façam ficar. Ainda assim, ao mesmo tempo sei, com a certeza de quem já percorreu estas ruas muitas vezes antes, que só quero teu amor porque nunca o tive.

Queria poder estar tranquila com esse desejo – saber, no meu âmago, que esta não é a milésima história que irá me machucar. Queria estar em paz com teu silêncio e aceitar que as coisas têm seu ritmo e que nós temos nosso próprio tempo, mas não consigo. Não sei esperar, porque a espera já é um sinônimo de angústia, e a angústia é um sinônimo de perda.

Nem sei o que queres ou o que pensas, mas algo nas entrelinhas dos meus dias – algo que pode ser real ou apenas reflexo do meu medo – me diz que nunca te terei. Algo entremeado nos ventos me diz que esses atos lindos, que leio como paixão e carinho, na verdade são destinados a todas as mulheres que deitam na tua cama. Que essas palavras, que para mim tanto significam, para ti são banais, conversas que terias com qualquer outra mulher. E ao fim e ao cabo, tenho a certeza que caí numa armadilha que tu nem lembras de ter armado.

Preciso sair disso tudo, abandonar esses crepúsculos traiçoeiros e ir em busca de dias mais claros, atos mais óbvios, terrenos seguros. No entanto, minha esperança – minha melhor amiga e pior inimiga – me sussurra que talvez toda essa preocupação seja invenção da minha cabeça, e que na verdade teus desejos são genuínos e teu afeto é real. Que nossas músicas são nossas músicas, e não canções que eu ouço sozinha pensando em ti. Que teu carinho no meu corpo no silêncio de depois significa o mesmo que para mim: são as manifestações incontroláveis de um afeto que me preenche e acaba por escorrer das minhas mãos. Que é só uma questão de tempo, sempre o tempo, e eu nunca fui uma pessoa que soube esperar. Sobretudo, minha esperança me diz que basta te aguardar e expressar meu sentimentos através de meus atos (nunca de palavras, tão pegajosas e arredias) e tudo ficará bem. “E sigamos juntos”, como numa de nossas músicas.

Esta é mais uma noite que terminarei rezando – desta vez, para que minha esperança prevaleça a mim mesma. Como é surreal desejar estar errada.

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