Hoje

em

Não quero escrever, mas preciso. O peso e a aspereza das palavras nunca ditas terminariam por me consumir. Preciso falar, mas mais do que falar, preciso dizer, e não sei o que dizer. Não sei por que essas lágrimas me pertencem, hoje, nesta tarde tão morna. Não sei se escrevo sobre a dor do meu passado, sobre a paixão do meu presente ou qualquer coisa a respeito dos bons pacientes com quem tive o prazer de conviver essa semana. Teria muito o que dizer sobre eles, mas minha alma clama por palavras mais soturnas.

Preciso – reconheço – falar sobre o amor. Não me refiro ao amor de claros tons pastéis, embalados por uma música da Tiê. Tampouco falo sobre as borboletas no estômago (embora elas estejam aqui, dormindo no presente momento). Falo sobre o amor dos mares desconhecidos, dos territórios nunca explorados; refiro-me àquele sentimento que te aproxima de uma encruzilhada e então você percebe que uma decisão precisa ser tomada. Necessito, mais do que nunca, saber o que faço e para onde vou. Se sigo em frente, abandonando toda a minha cautela, ou se volto atrás. Se me atiro rumo ao desconhecido ou se permaneço aqui, onde estive por tantos e tantos anos. Que dor eu prefiro sentir? Arriscar e cair no vazio ou amargar a dor de nunca ter te amado?

Você me deixa nervosa, e por mais que isso fosse maravilhoso e encantador no começo, hoje eu estou cansada de nervosismo. Hoje eu queria descobrir, com todas as letras, o que esperar de você. Hoje eu queria chegar em casa depois desse dia tão extenso e saber – em vez de tentar acreditar – que alguém, agora, pensa em mim. Que um par de braços me deseja, da mesma forma que eu te desejo: de tantas formas possíveis. No escuro, na tua cama, na tranquilidade do meu sofá numa tarde de feriado.

Eu sei que tenho pressa, eu sei que meus sentimentos e minha ansiedade contaminam cada célula do meu ser. Já sei que devo esperar, e que daqui a um mês, as respostas serão óbvias – elas sempre se tornam assim. Sei que esse texto é a admissão dos meus erros e das minhas fraquezas, mas hoje eu só queria te ter de verdade, com as respostas impressas nos teus olhos e nas tuas palavras. Se você lesse isso, diria que palavras são desnecessárias, e talvez você tenha razão, mas são as palavras que me fizeram quem sou. São elas que me tiram o sono, que guiam minhas atitudes e que são o Norte dos meus sentimentos. Sem minhas palavras, eu não saberia quem sou.

Portanto, me desculpa a aspereza, a franqueza excessiva dos meus pedidos. Desculpa pelas vezes em que estamos juntas e meus olhos se perdem nos pensamentos da minha mente, ou quando você claramente percebe que eu não estou mais ali. Na verdade, eu estou ali, pensando em você. Tentando descobrir o que você quer, o que você espera disso tudo. Me desculpa, mas essas coisas – tempo, desapego, tranquilidade – talvez não sejam passíveis de compreensão pelo meu coração.

Me desculpa, meu bem, mas hoje eu preciso de palavras.

3 comentários Adicione o seu

  1. Lindo! Sensacional!

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    1. obrigada, Fabio! Volte sempre!

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  2. Candy Girl disse:

    ❤️

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