Sobre pontos finais

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Nos silêncios raros – quase mitológicos – que se estabelecem no meio das horas ruidosas, resolvi te responder. Doze dias é o máximo de tempo que meu coração consegue dar. Precisei te dizer, com todas as letras, não. Mas muito antes disso, precisei fermentar esse não (antes inimaginável, ontem aceitável, hoje friamente executado) durante dias na minha cabeça, dizendo-o a mim antes de dizê-lo a ti. Uma trôpega tentativa de desculpas, um remendo de introdução à conversa, e então te disse: não, eu não irei te encontrar. Não, eu não estou prestes a atravessar alguns estados brasileiros para estar nos braços que tanto desejei por tantos dias.

O preço é alto demais, e isso já se torna óbvio, ao ponto que a bruma que levantastes na minha vida começa a baixar. Não vale a pena, não por um convite feito com metade da boca e quase nada do teu coração. Não por um convite atirado, quase a contragosto, no meio de uma conversa qualquer. As loucuras que eu faria por ti, eu as faria desde que eu não fosse a única a brilhar e explodir, como uma supernova no espaço, devidamente isolada por anos-luz de outras explosões. Queria que vivêssemos, amássemos e transbordássemos juntas. Esse era meu plano, e hoje (dois meses depois) preciso aceitar: ele nunca irá se concretizar.

Rezo para que não perguntes o porquê. Teria de inventar uma história, qualquer coisa que não revelasse que o que o meu coração quer, mesmo, é fazer uma grande loucura – mas a minha alma já não permite. Não é nem minha cabeça que não aguenta mais, e sim minha alma, já machucada, pedindo ao meu coração (tão intenso, tão fugaz, tão vermelho) que pare. Dessa vez, ao menos, por favor: pare. E quando minha alma mostrou suas feridas, algumas ainda abertas, a resposta foi óbvia, clara como o sol: não importa o quanto eu queira teus braços e teus beijos, não importa quanto eu sonhe com teus abraços, eles simplesmente não me merecem mais. 

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