Promessa

Em uma noite chuvosa de sábado, o tédio se infiltrando na wi-fi, tropecei na bela foto de casamento entre a primeira mulher da minha vida e sua atual esposa.

Eu estava dois meses atrasada, mas isso não diminuiu minha surpresa. Analisei aquela foto com olhos atentos, tentando decifrar algo na expressão de uma mulher que deixei de conhecer, com quem desperdicei diversas chances ao longo de anos. Meu coração apertou, e mais uma vez, enchi uma taça de vinho. Eu havia bebido excessivamente naquele final de semana, por diversos motivos, e me sentia completamente fora do meu corpo e de minha personalidade.

Tomei um banho quente ao som de Elis. Perambulei pela casa, na ausência dos vícios que deixei de sustentar há meio ano, a respiração profunda, laboriosa. Havia sido uma semana insuportável, e não tinha encontrado renovação naquele final de semana; sentia-me mais exausta do que nunca.

Fui ao banheiro, acendi a luz e me olhei nos olhos. Sempre foi assim que rezei: em voz alta, as luzes acesas, me encarando no espelho. Era para caso eu estivesse completamente errada e não existisse nenhum Deus, ao menos algo em mim ouviria aquelas necessárias palavras.

Hoje eu não vim para te pedir nada. Eu só vim pra prometer: a próxima vez que o amor passar pela minha vida, eu juro que o agarrarei com unhas e dentes. Eu juro que, dessa vez, não o mandarei embora. Juro que vou parar de te pedir coisas descabidas. Preciso fazer minha parte.

Entre as trovoadas, era quase possível ouvir Deus suspirando de alívio.

 

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