Oração

Não há sinais que eu deva seguir
Não tenho uma pista sequer pra te achar
Um junkie cansado
O tempo me consome em ondas de desejo

 

Quando você saiu da minha casa, eu voltei para a cama, e dormi por duas horas direto. Como você sabe, talvez até melhor do que eu, eu tinha bebido muito, e tudo parecia um pouco confuso, mas quando eu acordei e lembrei do que aquela noite tinha sido, tudo pareceu um sonho.

Por um momento, eu realmente acreditei que tudo tinha sido um sonho, e nada tinha acontecido realmente. Aquele pensamento me transtornou, e percorri a casa procurando sinais da tua presença: talvez você tivesse esquecido alguma coisa, ou talvez eu encontrasse um fio de cabelo em algum lugar. Revirei os lençóis e não encontrei absolutamente nada. Só então eu percebi que as provas da tua presença estavam espalhadas pelo meu corpo: teu cheiro estava impregnado em mim. Cada vez que eu respirava fundo, eu sentia um pouco de ti.

Eu tinha uma decisão a tomar, veja bem, é nesses pequenos momentos que a gente percebe quem realmente somos e o que realmente queremos. Eu poderia tomar um banho e lavar aquilo tudo, seguindo com a minha vida. Ou eu poderia respirar fundo.

Sendo assim, sentei na cadeira e respirei fundo, tantas vezes quanto pude até me sentir tonta. E quando me senti tonta, achei tudo aquilo maravilhoso. Me desculpa, mas isso é verdade.

Eu sinto a tua falta. Eu voaria até a tua casa amanhã, se você me convidasse. Eu arriscaria tudo e mandaria à merda os mil e cem quilômetros que nos separam: me desculpa, de coração. Mas tudo isso é verdade.

Você pode chamar isso de tantas coisas: amor, paixão, desespero, carência. Você pode chamar de ilusão, ou de como eu tenho chamado, que é “a receita perfeita pra dar merda”. Você pode chamar isso do que você quiser, mas eu só chamo isso de uma coisa: mágica. Tudo o que aconteceu naquela noite foi mágico, foi lindo, belo, sensual, o que mais você quiser.

Tantas crenças erradas caíram por terra: achar que nunca me daria tão bem com uma mulher como eu costumo me dar com meus amigos homens; a crença de que quando as conversas são boas, o sexo geralmente não é; a crença de que eu nunca mais me apaixonaria novamente.

Eu não falo só do prazer, físico, emocional e mental que eu senti. Eu falo de uma necessidade que foi satisfeita. Eu precisava daquilo – de algo que desfizesse todas essas crenças, de algo que me fizesse feliz e livre, ainda que só por uma noite. Te conhecer foi como aqueles dias de verão em que se está completamente sedenta e com sapatos desconfortáveis, e finalmente se chega em casa, e então atiramos os sapatos no corredor e bebemos um longo copo de água gelada. Mesmo depois de já estarmos descalços há tempos, ainda sentimos alívio. E esse é o alívio que sinto todos os dias: eu satisfiz uma necessidade tão grande, que estava ali há tanto tempo, que eu já considerava como sendo parte de mim.

Por isso mesmo, se alguém me disser que tudo isso foi um erro e dará tremendamente errado, ou que eu nunca mais vou te ver (ou que nos veremos novamente, mas será de uma forma triste e dolorosa), nem assim eu voltaria atrás.

Eu poderia te dizer tantas coisas. Eu poderia te pedir para me dar uma chance, para nos dar uma chance; eu poderia falar que um convite seria legal, ou que essa situação toda vai dar errado, e que mesmo assim eu não me importo; eu poderia te implorar para não sair com outra pessoa, ou dizer que nossa história vale a pena. Mas se eu pudesse te dizer apenas uma coisa, ela seria: obrigada. Você me mostrou que a vida pode ser completamente mágica.

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